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8 mitos sobre psicólog@s

Quando entramos na faculdade de psicologia ou quando falamos para alguém que somos psicólog@s, são diversas as frases clichês que escutamos. Eu, por exemplo, no dia da minha formatura escutei “Então quer dizer que agora és oficialmente psicolouca?”. E quando entrei na faculdade escutei “Tem certeza que tu quer passar o dia todo escutando os problemas dos outros?”.

 

Enfim, são frases que sustentam mitos que as pessoas tem acerca da profissão psi. Para comemorar o dia d@ psicólog@, 27 de agosto, decidi listar aqui 8 desses mitos, que precisam ser quebrados para que as pessoas possam se sentir mais a vontade para procurar psicólog@s quando precisam.

 

 

1. Psicólog@s são loucos

 

É verdade que estudar os seres humanos com foco nas emoções, nos pensamentos, nas relações, na interação corpo/mente, etc. é um desafio para todos que estudam psicologia. Mas desafio maior é: o que é ser louco? E esse é um desafio para todos, não só para psicólogos. A loucura é uma construção social e, se avaliarmos a fundo, cada pessoa tem uma ideia diferente do que seria uma pessoa louca. Então, antes de dizer que alguém é louco, pense um pouco: qual meu referencial aqui para o conceito de loucura?

 

Outro argumento utilizado para a ideia de que psicólog@s são loucos é a de que as pessoas que procuram a faculdade de psicologia querem se tratar. De fato muitos estudantes de psicologia escolhem o curso em momentos da vida que se sentem perdidos ou que buscam compreender melhor certas etapas da vida e situações que vivem ou viveram. Mas não se preocupem com isso: passar pelos 5 anos de curso, pelas noites estudando diversas teorias, pelos estágios, pelas supervisões e pela própria terapia (que em algum momento do curso se fará necessária) faz algo semelhante a uma “seleção natural”. Ninguém que escolhe o curso “para se tratar” consegue conclui-lo sem passar por uma transformação gigante que colocará em cheque a sua escolha ou o tornará capaz de ser excelente na profissão.

 

 

2. Psicólog@s são para loucos

 

Muitas pessoas demoram para procurar um psicólogo ou não contam para ninguém quando procuram por medo de serem julgadas como loucas. Mais uma vez cabe o questionamento: o que é ser louco? Cada pessoa enxerga a loucura a sua maneira, mas infelizmente muitos acham que “ver um psicólog@” faz parte dos pré-requisitos.

 

Psicólog@s estudam saúde mental, conhecem os diagnósticos da área, avaliam e observam se as pessoas que o procuram se encaixam nesses ou não para melhor atendê-los e promover saúde. Mas o trabalho não é só esse. Trabalhamos na promoção de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Em diversos locais: nas empresas, nas escolas, nos hospitais, nas comunidades, nos consultórios.

 

Trabalhamos ajudando as pessoas a se conhecerem, se desenvolverem, se organizarem a partir daquilo que elas acreditam e valorizam. Buscamos promover o autoconhecimento, a empatia por si e pelo outro, o reconhecimento e validação dos sentimentos. Não é uma tarefa fácil. Olhar para si, colocar-se no lugar do outro e conectar-se com seus sentimentos é um desafio para todos. Agora: isso é loucura? Depende do seu ponto de vista. Como diz a frase de Zack Magiezi: “Muitas pessoas cometem a loucura de não colocar a loucura em prática”.

 

 

3. Psicólog@s trabalham apenas com a mente

 

Confesso que anos antes de escolher a psicologia como profissão eu tinha a falsa ideia de que psicólog@s tinham um foco exclusivo na mente humana. Achava que trabalhavam apenas com avaliações e conclusões fechadas sobre quem as pessoas são. A própria palavra “psicologia” me causava uma confusão inicial.

 

“Psicologia” provém dos termos gregos psico (alma ou atividade mental) e logía (estudo).

 

Se focarmos literalmente  no entendimento de que psicologia é o “estudo da ATIVIDADE mental” temos essa falsa impressão de que psicólog@s trabalham somente com a mente. Porém, ATIVIDADE mental não é igual a mente. Nossos processos mentais nos levam a sentimentos e comportamentos, que influenciam nossa relação com o ambiente, influenciando também o nosso entorno nas suas relações. Sendo assim, “atividade mental” é algo muito mais complexo do que geralmente pensamos. Muitas vezes reduzimos a ideia para a lógica linear. “Se isso, então aquilo”. Como se “estudo da atividade mental” fosse igual e restrito ao “estudo da mente”.

 

Voltando a palavra, psicologia também significa “estudo da alma”. E a palavra “alma”, meus caros, por si só não se reduz às atividades mentais. É filosófica, nos leva a um mergulho em nós mesmos. Estudar esse mergulho é sentir cada gota que reverbera.

 

 

4. Psicólog@s lêem a mente e prevêem o futuro

 

Não, não somos videntes, nem trabalhamos com o paranormal. Não queremos isso e, inclusive, nosso código de ética nos proíbe de associar qualquer tipo de atividade “alternativa” à profissão.

 

O que muitas vezes acontece é que, ao longo de nosso trabalho, conseguimos avaliar situações de um ponto de vista teórico, que ajuda as pessoas a traduzirem aquilo que estavam pensando e a perceberem onde aquilo provavelmente irá levar.

 

PROVAVELMENTE. Psicólog@s trabalham com probabilidades, nunca certezas. Nada é certo, nada está sob controle e não pretendemos gerar a ilusão de que está.

 

 

5. Psicólog@s sabem de tudo (ou não sabem de nada)

 

Esse é um mito curioso. Muitas pessoas procuram psicólog@s querendo um terceiro para lhe apoiar independente de qualquer coisa. E nesses casos, querem que os psicólog@s concordem com eles. Se eles o fazem: sabem de tudo. Se não o fazem: não sabem de nada. Se você pensa assim, sinto informar: quem sabe ou não de algo é você! Nosso trabalho não é tomar partido, não é mantê-lo na zona de conforto, não é causar estagnação.

 

Além disso, não sabemos de tudo, mas sabemos de muitas coisas. Estudamos psicologia pelo menos cinco anos. E depois desses cinco anos estudamos mais para nos especializarmos em diferentes áreas dentro da psicologia. Então, alguma coisa sabemos. Mas não temos a pretensão de nos vangloriarmos por nosso conhecimento. Pois, como diz Manoel de Barros: “Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto.”

 

 

6. Psicólog@s estão sempre analisando os outros

 

Chega a ser engraçado: chegamos em um local - por exemplo uma festa de aniversário - e começamos a interagir com as pessoas - como todos na festa. Até que alguém diz “fulan@ é psicólog@” ou até que alguém nos pergunte qual nossa profissão. Depois disso, aqueles que não nos conhecem direito - e que acreditam que psicólog@s estão sempre analisando os outros - mudam completamente. Passam a agir de uma forma teatral ou a justificar as suas falas ou a fazer piadinhas sem graça sobre o quanto nós estamos analisando a situação. NÃO, NÃO ESTAMOS. E por mais que a gente repita mil vezes isso, a pessoa segue acreditando que sim, estamos.

 

Somos seres humanos! Escolhemos a psicologia como profissão, mas não somos psicologia ambulante. Já imaginou como ficaria a nossa saúde mental se tratássemos todos ao nosso redor seguindo as técnicas que orientam o nosso trabalho? Pense em você e na sua profissão. Se você é engenheiro: está o tempo todo construindo e fazendo cálculos em sua cabeça? Se é advogado: está o tempo todo pensando em todas as leis que existem e que regem os direitos e deveres da sociedade? Se é professor: está o tempo todo lecionando? E quando pergunto “o tempo todo” é isso mesmo: O TEMPO TODO! Então NÃO, NÃO ESTAMOS SEMPRE ANALISANDO OS OUTROS.

 

 

7. Psicólog@s não gostam de falar: só escutam

 

Amamos escutar! Somos curiosos e para compreender uma situação vamos querer ouvir o máximo possível sobre ela. Mas também gostamos de falar! Alguns menos, outros mais, como todos no planeta. Tá certo que na clínica, algumas abordagens psicoterapêuticas estimulam mais o psicólogo a falar ou o deixam mais confortável para isso. Mas isso depende também do estilo do terapeuta. Assim como o cliente pode ou não gostar de alguém que fale mais ou menos.

 

A questão é que o nosso trabalho nos desafia a desafiar o outro a se conhecer. E para isso precisamos, no mínino, perguntar. Devemos promover ao outro um espaço de escuta de si, que permita explorar aspectos que não foram percebidos antes e promover novos significados. Para que isso seja possível precisamos dialogar com o cliente.  Além disso, adoramos dividir conhecimento. Saúde não é segredo. E se pudermos explicar ao cliente aquilo que ele precisa saber, o faremos com muito gosto.

 

 

8. Psicólog@s devem ter uma vida perfeita

 

O que é vida perfeita? Não sei. Assim como a loucura cada pessoa tem sua própria percepção do que é perfeição. Mas muitas pessoas imaginam que psicólog@s vivem em um mundo cor de rosa, onde tudo é lindo, onde sentimentos e situações negativas não existem.

 

Se fosse só imaginar, tava ok. O problema é que muitas pessoas acham que psicólogos DEVEM tem uma vida perfeita, pelo menos de fachada. E isso é um mito! Somos humanos e como humanos sentimos, pensamento, agimos. E nem sempre isso nos levará para um caminho positivo ou livre de problemas e catástrofes pessoais.

 

Como psicólog@s durante o nosso trabalho não iremos expor nossa vida pessoal ao nosso cliente para além do que ele precisa saber. Mas não é essa a questão aqui. Acreditar que psicólog@s tem o dever de ter uma vida perfeita é exigir que não sejam humanos.

 

 

E se tem algo que nós psicólog@s somos é HUMANOS! O que por si só destrói todos os mitos expostos acima. Pois, como diz Gabriel Chalita, nos ocupamos da sagrada teimosia de jamais desistir do ser humano.


Ficou curioso? Quer saber mais?
Entre em contato ou escreva para psicologa@tatianaperez.com.br

 

Por Psicóloga Tatiana Perez

CRP 07/26032

 

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